neurociência

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Neurofeedback


" O neurofeedback treina a pessoa para controlar ritmos cerebrais que não estão a funcionar, pelo que é excelente para quem sofre de perturbações de atenção ou sono, ou cérebros ruidosos em geral.

Mas o neurofeedback não é uma terapia de som. O neurofeedback é uma forma sofisticada de biofeedback e um tratamento extremamente versátil. Foi recentemente reconhecido pela Academia Americana de Pediatria como um tratamento tão eficaz como os medicamentos para eliminar os sintomas de SDA e PHDA. Não tem praticamente nenhuns efeitos secundários, pois é uma forma de treino do cérebro. Também foi aprovada para o tratamento de determinados tipos de epilepsia e é eficaz para muitas outras complicações - incluindo certos tipos de ansiedade, problemas de stress pós-traumático, distúrbios de aprendizagem, lesões cerebrais , enxaquecas e sensibilidades que afectam o espetro do autismo - para referir apenas algumas. É um tratamento neuroplástico, mas não é muito conhecido porque foi desenvolvido antes de a neuroplasticidade ser amplamente compreendida.

Como já vimos, quando os neurónios disparam aos milhões, criam ondas cerebrais. As ondas cerebrais que são mensuráveis desde o início do século XX, são medidas em ondas por segundo. Assim, diferentes ondas estão relacionadas com diferentes níveis do estado de alerta consciente e de tipos de experiência consciente. (...)

Numa sessão convencional de neurofeedback, a pessoa é ligada a um aparelho de EEG (electroencefalograma), uma maneira não invasiva de detetar ondas cerebrasis que são depois visualizadas num ecrã de computador.

Numa sessão de neurofeedback para a SDA - pessoas com número inferior de ondas calmas e focadas (ondas beta) -, a pessoa é treinada para aumentar as ondas associadas à concentração calma e as ondas mais baixas associadas à sonolência e à impulsividade sempre que são representadas no ecrã. Apesar de o neurofeedback envolver a utilização de equipamento electrónico, acredito que funciona segundo alguns dos princípios do método de Feldenkrais. Ambos desenvolvem uma consciência aumentada que pode conduzir a alterações neurais e à neurodiferenciação. "


In "Como o cérebro cura ", by Dr. Norman Doidge 

O que é Epigenética ?


Novos contributos para perceber como funciona a Terapia do Som


" Um dos mais importantes contributos de Ron Minson foi a actualização das teorias de Alfred Tomatis e a clarificação de algumas confusões importantes acerca do modo como a terapia do som funciona, especialmente no que diz respeito à atenção.

A terapia do som pode corrigir os problemas de atenção estimulando todas as áreas subcorticais, (...) especialmente se ela for combinada com o movimento.

Estudos recentes através da imagiologia cerebral demonstram que as pessoas com PHDA também apresentam um cerebelo ( responsável por afinar o tempo dos pensamentos e movimentos, bem como do equilíbrio ) de menor volume. À medida que a PHDA da pessoa se vai agravando, o cerebelo diminui ainda mais de tamanho. No entanto, assim que melhoram, o cerebelo aumenta.

Crianças com SDA que não conseguem esperar pela sua vez, ou que respondem antes do tempo têm por vezes problemas em acertar o tempo das suas ações. A terapia da escuta de Tomatis e o iLs têm um impacto sobre o cerebelo, bem como um enorme impacto sobre o sistema vestibular, que está ligado ao cerebelo.

A música da terapia, ativa e reforça, a ligação entre as áreas do cérebro que processam a recompensa positiva (que nos dá uma sensação de prazer quando conseguimos realizar alguma coisa ), e a ínsua - uma área cortical do cérebro que está envolvida na atitude de prestar atenção. Isso mesmo foi demonstrado , em 2005, pelos neurocientistas Vinod Menon e Daniel Levitin com recurso a ressonâncias magnéticas funcionais.

Levitin escreve: " Os aspectos de recompensa e de reforço resultantes da escuta de música parecem (...) ser mediados pelo aumento dos níveis de dopamina. (...) As actuais teorias neuropsicológicas associam o estado de espírito e o sentimento positivos a maiores níveis de dopamina, uma das razões pelas quais muitos do antidepressivos mais recentes atuam sobre o sistema dopaminérgico.

Eu ponho a hipótese de haver um outro motivo para que a estimulação pelo som levante a moral das pessoas com problemas cerebrais: é que é muito frequente essas pessoas terem uma atividade neural dessincronizada em áreas com ligações deficientes (como no caso do autismo, por exemplo). 


 Na minha perspectiva o cérebro dessincronizado é um cérebro ruidoso a disparar sinais aleatórios, sempre a desperdiçar energia; é um cérebro hiperactivo que faz muito pouco, deixando o seu dono exausto. A música volta a deixar o cérebro síncrono através da sincronização e faz mais neurónios disparar em conjunto tornando o cérebro muito mais eficiente." 

Um caso digno de nota é o de um rapaz - cujo hemisfério esquerdo havia sido totalmente removido - que Alfred Tomatis ajudou  com recurso aos efeitos estimulantes da música (...) Depois da operação, o rapaz mal conseguia falar e tinha o lado direito do corpo paralisado. Apesar de vários anos de terapia da fala, o rapaz falava muito devagar e com grande dificuldade.

Tomatis ligou o rapaz ao Ouvido Electrónico e estimulou com som o único hemisfério que lhe restava. " Algumas semanas depois de ouvir a música a atividade do lado direito do corpo tinha recuperado a eficiência e estava permanentemente estabelecida. A fala recuperou as suas capacidades em termos de timbre e ritmo. A criança já se exprimia normalmente, com uma voz bem modelada, que contrastava enormemente com a voz monótona e sem vida que tinha no início do tratamento. O nosso doente ficou calmo, aberto e animado".

 A terapia do som, acreditava Tomatis, tinha despertado o hemisfério que lhe restava."

SDA - Síndrome Défice Atenção  |  PHDA - Perturbação Hiperatividade / Défice Atenção



In "Como o cérebro cura ", por Dr. Norman Doidge 


" Reconstituição do cérebro por engenharia inversa "


" O cérebro reconstituído por engenharia inversa também seria de grande utilidade para a inteligência artificial. A visão e o reconhecimento artificial são feitos sem qualquer esforço pelo cérebro, mas continuam a confundir os computadores mais avançados. Por exemplo: os computadores conseguem reconhecer, com um grau de exactidão igual ou superior a 95%, os rostos humanos que estejam a olhar em frente e estejam registados numa pequena base de dados. Mas, se mostramos ao computador o mesmo rosto de ângulos diferentes, ou um rosto que não consta da base de dados, é provável que este se engane. Nós conseguimos reconhecer rostos familiares vistos de vários ângulos em 0,1 segundos - é tão fácil para o nosso cérebro que nem nos damos conta do que estamos a fazer. A reconstituição do cérebro por engenharia inversa poderá revelar o mistério de como isto acontece.

Mais complicado seria o caso das doenças que envolvem falhas múltiplas do cérebro - como a esquizofrenia. Esta perturbação envolve vários genes e, também, interações com o ambiente, que, por sua vez, origina uma actividade anormal em diversas áreas do cérebro. Mas, neste caso, um cérebro reconstituído por engenharia inversa conseguiria indicar com precisão como se formam determinados sintomas ( como as alucinações ), o que poderia abrir caminho para uma possível cura.

O cérebro reconstituído por engenharia inversa irá igualmente resolver questões básicas, mas ainda não solucionadas, como o modo como as memórias de longo prazo são armazenadas. É sabido que determinadas partes do cérebro - como o hipocampo e a amígdala - armazenam memórias, mas a forma como a memoria é distribuída pelos vários córtices e depois reunida para criar uma memória ainda não é clara.


Disponível em " O futuro da mente ", Michio Kaku



Neuroplasticidade

" Neuroplasticidade é a propriedade do cérebro que lhe permite alterar a sua própria estrutura e o seu próprio funcionamento em resposta à actividade e à experiência mental. (...) O cérebro tem a sua forma única de curar e, quando ela é compreendida, muitos dos problemas cerebrais considerados incuráveis ou irreversíveis podem ser atenuados, muitas vezes radicalmente, e nalguns casos, como veremos, até curados."


in "The Brain that changes itself ", by Norman Doidge

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When science meets mindfulness

Researchers study how it seems to change the brain in depressed patients

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Meditation: In Depth

How much do we know about meditation?


https://www.nccih.nih.gov/health/meditation-in-depth


National Center for Complementary and Integrative Health (NCCIH)   

O Poder Científico da Meditação

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